sábado, 5 de dezembro de 2009

Arquivo para download: A verdade e as formas jurídicas, de Michel Foucault

O que gostaria de dizer-lhes nestas conferências são coisas possivelmente inexatas, falsas, errôneas, que apresentarei a título de hipótese de trabalho; hipótese de trabalho para um trabalho futuro. Pediria, para tanto, sua indulgência e, mais do que isto, sua maldade. Isto é, gostaria muito que, ao fim de cada conferência, me fizessem perguntas, críticas e objeções para que, na medida do possível e na medida em que meu espírito não é ainda rígido demais, possa pouco a pouco adaptar-me a elas; e que possamos assim, ao final dessas cinco conferências, ter feito, em conjunto, um trabalho ou eventualmente algum progresso.

Apresentarei hoje uma reflexão metodológica para introduzir esse problema, que sob o título de A Verdade e as Formas Jurídicas, pode-lhes parecer um tanto enigmático. Tentarei apresentar-lhes o que no fundo é o ponto de conver gência de três ou quatro séries de pesquisas existentes, já exploradas, já inventariadas, para confrontá-las e reuni-las em uma espécie de pesquisa, não digo original, mas pelo menos, renovadora. Em primeiro lugar, uma pesquisa propriamente histórica, ou seja: como se puderam formar domínios de saber a partir de práticas sociais?

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Arquivo para download: Uma introdução à vida não fascista, de Michel Foucault

Eu diria que O anti-Édipo (possam seus autores me perdoar) é um livro de ética, o primeiro livro de ética que se escreveu na França desde muito tempo (é talvez a razão pela qual seu sucesso não se limitou a um “leitorado” particular: ser antiÉdipo tornou-se um estilo de vida, um modo de pensamento e de vida). Como fazer para não se tornar fascista mesmo (e sobretudo) quando se acredita ser um militante revolucionário? Como livrar do fascismo nosso discurso e nossos atos, nossos corações e nossos prazeres? Como desentranhar o fascismo que se incrustou em nosso comportamento? Os moralistas cristãos buscavam os traços da carne que se tinham alojado nas dobras da alma. Deleuze e Guattari, por sua vez, espreitam os traços mais íntimos do fascismo no corpo.

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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Arquivo para download: O anti-Édipo, de Gilles Deleuze e Félix Guattari


Qual será então a doença do esquizofrénico, já que não é a esquizofrenia como processo? O que é que transforma a abertura da passagem em derrocada? É precisamente a paragem forçada do processo, ou a sua continuação no vazio, ou a maneira como é obrigado a tomar-se por um fim. Já vimos como é que a produção social produz o esquizo doente: construído sobre os fluxos descodificados que constituem a sua tendência profunda ou o seu limite absoluto, o capitalismo não pára de contrariar essa tendência, de esconjurar esse limite e de o substituir por limites relativos internos que pode reproduzir numa escala cada vez maior, ou por uma axiomática dos fluxos que submete a tendência ao despotismo e à mais forte repressão. É neste sentido que dizemos que a contradição se instala não apenas ao nível dos fluxos que atravessam o campo social, mas também ao nível dos seus investimentos libidinais que também são partes constituintes do campo - entre a reconstrução paranóica do Urstaat despótico e as linhas de fuga esquizofrênicas positivas. Há portanto três possibilidades ou o processo está paralizado e o limite de produção desejante deslocado, travestido, e passa por dentro do sub-conjunto edipiano - o esquizo está efectivamente neurotizado e é essa neurotização que é a sua doença, porque, de qualquer modo, a neurotização precede a neurose que é o seu fruto.

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Na web: Ética em Deleuze, por Luiz B. L. Orlandi


O pensamento deleuzeano tende a promover uma proliferação intensiva de bons encontros ao mesmo tempo em que assume o ponto de vista de saídas para a vida, mesmo porque, segundo ele, “não há obra que não indique uma saída para a vida, que não trace um caminho entre as pedras”. Trata-se de ver como Deleuze, em seus encontros com Nietzsche e Espinosa, pensa a favor de uma singular ética vitalista. Como ele distingue vontade de poder e vontade de potência, como isto atua como critério de seleção dos encontros. Com Espinosa, ele pensa distinguir bons e maus encontros em função de duas dimensões: a da composição das relações constitutivas dos seres e a da variação do poder de afetar e de ser afetado.

Vídeo na íntegra

Entrevista

Arquivo para download: O pensamento de Deleuze ou a grande aventura do espírito, de Claudio Ulpiano

Tese de doutorado apresentada ao Departamento de Filosofia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas, sob a orientação do Prof. Dr. Luiz Benedicto Lacerda Orlandi.

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Arquivo para download: As três ecologias, de Félix Guattari

O planeta Terra vive um período de intensas transformações técnicocientíficas, em contrapartida das quais engendram-se fenômenos de desequilíbrios ecológicos que, se não forem remediados, no limite, ameaçam a vida em sua superfície. Paralelamente a tais perturbações, os modos de vida humanos individuais e coletivos evoluem no sentido de uma progressiva deterioração. As redes de parentesco tendem a se reduzir ao mínimo, a vida doméstica vem sendo gangrenada pelo consumo da mídia, a vida conjugal e familiar se encontra freqüentemente "ossificada" por uma espécie de padronização dos comportamentos, as relações de vizinhança estão geralmente reduzidas a sua mais pobre expressão... É a relação da subjetividade com sua exterioridade - seja ela social, animal, vegetal, cósmica — que se encontra assim comprometida numa espécie de movimento geral de implosão e infantilização regressiva. A alteridade tende a perder toda a aspereza. O turismo, por exemplo, se resume quase sempre a uma viagem sem sair do lugar, no seio das mesmas redundâncias de imagens e de comportamento. As formações políticas e as instâncias executivas parecem totalmente incapazes de apreender essa problemática no conjunto de suas implicações. Apesar de estarem começando a tomar uma consciência parcial dos perigos mais evidentes que ameaçam o meio ambiente natural de nossas sociedades, elas geralmente se contentam em abordar o campo dos danos industriais e, ainda assim, unicamente numa perspectiva tecnocrática, ao passo que só uma articulação ético-política — a que chamo ecosofia — entre os três registros ecológicos (o do meio ambiente, o das relações sociais e o da subjetividade humana) é que poderia esclarecer convenientemente tais questões.

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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Arquivo para download: O teatro e seu duplo, de Antonin Artaud


Julga-se um civilizado pelo modo como se comporta e ele pensa tal como se comporta; mas já quanto à palavra civilizado há confusão; para todo o mundo, um civilizado culto é um homem informado sobre sistemas e que pensa em sistemas, em formas, em signos, em representações. É um monstro no qual se desenvolveu até o absurdo a faculdade que temos de extrair pensamentos de nossos atos em vez de identificar nossos atos com nossos pensamentos. Se falta enxofre à nossa vida, ou seja, se lhe falta uma magia constante, é porque nos apraz contemplar nossos atos e nos perder em considerações sobre as formas sonhadas de nossos atos, em vez de sermos impulsionados por eles. E essa faculdade é exclusivamente humana. Diria mesmo que é uma infecção do humano que nos estraga idéias que deveriam permanecer divinas; pois, longe de acreditar no sobrenatural, o divino inventado pelo homem, penso que foi a intervenção milenar do homem que acabou por nos corromper o divino. Todas as nossas idéias sobre a vida devem ser retomadas numa época em que nada adere mais à vida. E esta penosa cisão é a causa de as coisas se vingarem, e a poesia que não está mais em nós e que não conseguimos mais encontrar nas coisas reaparece de repente, pelo lado mau das coisas; nunca se viram tantos crimes, cuja gratuita estranheza só se explica por nossa impotência para possuir a vida. Se o teatro é feito para permitir que nossos recalques adquiram vida, uma espécie de poesia atroz expressa-se através dos atos estranhos em que as alterações do fato de viver demonstram que a intensidade da vida está intacta e que bastaria dirigi-la melhor.


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sábado, 15 de agosto de 2009

Arquivo para download: Bergsonismo, de Gilles Deleuze


Incluindo os apêndices "A concepção da diferença em Bergson" e "Bergson".


A noção de diferença deve lançar uma certa luz sobre a filosofia de Bergson, mas, inversamente, o bergsonismo deve trazer a maior contribuição para uma filosofia da diferença. Uma tal filosofia opera sempre sobre dois planos, metodológico e ontológico. De um lado, trata-se de determinar as diferenças de natureza entre as coisas: é somente assim que se poderá “retornar” às próprias coisas, dar conta delas sem reduzi-las a outra coisa, apreendê-las em seu ser. Mas, por outro lado, se o ser das coisas está de um certo modo em suas diferenças de natureza, podemos esperar que a própria diferença seja alguma coisa, que ela tenha uma natureza, que ela nos confiará enfim o Ser. Esses dois problemas, metodológico e ontológico, remetem-se perpetuamente um ao outro: o problema das diferenças de natureza e o da natureza da diferença. Em Bergson, nós os reencontramos em seu liame, nós surpreendemos a passagem de um ao outro.

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Arquivos para download: Mil Platôs (5 volumes), de Gilles Deleuze e Félix Guattari

















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Arquivo para download: A filosofia crítica de Kant, de Gilles Deleuze


A razão segundo Kant

Kant define a filosofia como «a ciência da relação entre todos os conhecimentos e os fins essenciais da razão humana»; ou como «o amor que o ser racional experimenta pelos fins supremos da razão humana» (1). Os fins supremos da Razão formam o sistema da Cultura. Reconhecemos já nestas definições uma dupla luta: contra o empirismo, contra o racionalismo dogmático. Para o empirismo, a razão não é, falando com propriedade, faculdade dos fins. Estes remetem para uma afetividade primordial, para uma «natureza» capaz de os estabelecer. A originalidade da razão consiste antes numa certa maneira de realizar fins comuns ao homem e ao animal. A razão é faculdade de ajustar meios indiretos, oblíquos; a cultura é manha, cálculo, rodeio. Decerto que os meios originais reagem sobre os fins e os transformam; porém, em última instância, os fins são sempre os da natureza.

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sexta-feira, 10 de julho de 2009

Arquivo para download: Cinema 1 - A imagem-movimento, de Gilles Deleuze


Este estudo não é uma história do cinema. É uma taxionomia, uma tentativa de classificação das imagens e dos signos. Mas este primeiro volume deve contentar-se em determinar os elementos, e apenas os elementos, de uma única parte da classificação. Referimo-nos amiúde ao lógico americano Peirce (1839-1914), porque ele estabeleceu sem dúvida a mais completa e a mais variada classificação geral das imagens e dos signos. Trata-se de uma classificação como a de Lineu em história natural, ou, melhor ainda, como uma tabela de Mendeleiev em química. O cinema impõe novos pontos de vista sobre este problema. Uma outra confrontação faz-se necessária. Em 1896 Bergson escrevia Matière et Mémoire: era o diagnóstico de uma crise da psicologia. Não se podia mais opor o movimento, como realidade física no mundo exterior, à imagem, como realidade física no mundo exterior, à imagem, como realidade psíquica na consciência. A descoberta bergsoniana de uma imagem-movimento, e, mais profundamente, de uma imagem-tempo, conserva ainda hoje tal riqueza que talvez dela não se tenham extraído todas as conseqüências. Apesar da crítica muito sumária que Bergson um pouco mais tarde fará do cinema, nada pode impedir a conjunção da imagem-movimento, tal como ele a concebe, com a imagem cinematográfica.


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segunda-feira, 6 de julho de 2009

Lançamento de livro: Sacher-Masoch, o Frio e o Cruel, de Gilles Deleuze


Autor: DELEUZE, GILLES
Editora: JORGE ZAHAR

SINOPSE:

Esse livro ilustra bem a ideia deleuziana de que o artista ou o escritor é um pensador tanto quanto o filósofo ou o cientista. Mas ele é também um exemplo perfeito de como, para Deleuze, a literatura é uma atividade clínica, e o grande artista é mais um médico do que um doente. Deleuze jamais reduziu a literatura à linguagem.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Lançamento de livro: Wagner em Bayreuth, de Friedrich Nietzsche



WAGNER EM BAYREUTH

QUARTA CONSIDERAÇAO EXTEMPORANEA

Autor: NIETZSCHE, FRIEDRICH WILHELM
Tradutor: CAVALCANTI, ANNA HARTMANN
Editora: JORGE ZAHAR
Assunto: FILOSOFIA



terça-feira, 31 de março de 2009

Arquivo para download: O Anticristo, de Friedrich Nietzsche

Prefácio

Este livro pertence aos homens mais raros. Talvez nenhum deles sequer esteja vivo. É possível que se encontrem entre aqueles que compreendem o meu “Zaratustra”: como eu poderia misturar−me àqueles aos quais se presta ouvidos atualmente? – Somente os dias vindouros me pertencem. Alguns homens nascem póstumos.
As condições sob as quais sou compreendido, sob as quais sou necessariamente compreendido – conheço−as muito bem. Para suportar minha seriedade, minha paixão, é necessário possuir uma integridade intelectual levada aos limites extremos. Estar acostumado a viver no cimo das montanhas – e ver a imundície política e o nacionalismo abaixo de si. Ter se tornado indiferente; nunca perguntar se a verdade será útil ou prejudicial... Possuir uma inclinação – nascida da força – para questões que ninguém possui coragem de enfrentar; ousadia para o proibido; predestinação para o labirinto. Uma experiência de sete solidões. Ouvidos novos para música nova. Olhos novos para o mais distante. Uma consciência nova para verdades que até agora permaneceram mudas. E um desejo de economia em grande estilo – acumular sua força, seu entusiasmo... Auto−reverência, amor−próprio, absoluta liberdade para consigo...
Muito bem! Apenas esses são meus leitores, meus verdadeiros leitores, meus leitores predestinados: que importância tem o resto? – O resto é somente a humanidade. – É preciso tornar−se superior à humanidade em poder, em grandeza de alma – em desprezo...

Friedrich Nietzsche

Arquivo para download: Nietzsche e a reversão do platonismo, por Liszt Vieira

I - O PLATONISMO
A metafísica é marcada, segundo Nietzsche, pela presença de uma certa questão que surge no seio do platonismo. Existem diálogos platônicos onde vamos encontrar um personagem essencial da obra platônica que sabemos tratar-se de Sócrates. Os diálogos platônicos se desenvolvem sempre em torno de uma determinada questão que Sócrates propõe a seus interlocutores. Esta questão referente a qualquer tema, seja a beleza, a coragem, ou a justiça, é sempre posta em termos de: "o que é isto?", "o que é aquilo?". O que é a justiça? O que é a beleza? O que é a coragem?
Quando Sócrates pergunta "o que é a beleza?", o seu interlocutor, Hípias, não hesita em responder que a beleza são corpos belos, obras belas. Mas Sócrates rejeita os exemplos de coisas belas, de causas eventuais, e exige a definição da beleza enquanto tal. Se Sócrates recusa de Hípias, como resposta, causas eventuais ou exemplos tirados do mundo sensível em que vivemos, obviamente a pergunta socrática remete a uma outra ordem. Sócrates não quer saber o que são as coisas na medida em que elas possuem a qualidade de beleza, mas o que vem a ser a beleza em si mesma. Assim, a pergunta Socrática nos afasta das percepções sensíveis e nos coloca no domínio das essências.
Para Nietzsche, a metafísica se constroi a partir dessa maneira de levantar a questão. Toda a vez que perguntamos sobre a significação ou sobre a essência de alguma coisa, nós estamos no domínio metafísico. A resposta de Hípias estava no campo do mundo sensível, isto é, Hípias falava sobre um determinado aspecto da beleza. Para ele, a beleza não podia ser apreendida para além daquilo que fosse belo. Para Hípias, como sofista, o que é belo o é sempre para alguém. As coisas que se apresentam como coisas belas implicam sempre a presença de alguém que aprecie tais coisas e este alguém é que vai dar às coisas a qualidade de beleza ou feiura.