
Qual será então a doença do esquizofrénico, já que não é a esquizofrenia como processo? O que é que transforma a abertura da passagem em derrocada? É precisamente a paragem forçada do processo, ou a sua continuação no vazio, ou a maneira como é obrigado a tomar-se por um fim. Já vimos como é que a produção social produz o esquizo doente: construído sobre os fluxos descodificados que constituem a sua tendência profunda ou o seu limite absoluto, o capitalismo não pára de contrariar essa tendência, de esconjurar esse limite e de o substituir por limites relativos internos que pode reproduzir numa escala cada vez maior, ou por uma axiomática dos fluxos que submete a tendência ao despotismo e à mais forte repressão. É neste sentido que dizemos que a contradição se instala não apenas ao nível dos fluxos que atravessam o campo social, mas também ao nível dos seus investimentos libidinais que também são partes constituintes do campo - entre a reconstrução paranóica do Urstaat despótico e as linhas de fuga esquizofrênicas positivas. Há portanto três possibilidades ou o processo está paralizado e o limite de produção desejante deslocado, travestido, e passa por dentro do sub-conjunto edipiano - o esquizo está efectivamente neurotizado e é essa neurotização que é a sua doença, porque, de qualquer modo, a neurotização precede a neurose que é o seu fruto.
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